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Ao se analisar a aparição de Maria em Salette, vários fatos e situações surpreendem. A aparição é única, a mensagem é longa, simples, humana e profundamente evangélica. Além disso, Maria fala com profunda ternura, quase suplicante, como uma mãe preocupada com as desobediências de seus filhos. É uma bela Senhora que não pára de chorar, o que revela uma profunda tristeza e preocupação. É alguém que emana compaixão, que sente o sofrimento do seu povo e por ele se preocupa. Alguém muito humano. Tudo isto já seria um grande diferencial.
Mas há um outro aspecto que chama atenção e que torna a aparição em Salette a única entre todas as reconhecidas pela Igreja. Embora Maria se manifeste envolta em glória, não está distante, flutuando no espaço ou pairando sobre uma nuvem, inacessível. Pelo contrário; manifesta-se como uma mulher deste mundo, vestida como as camponesas da região, que chora e se coloca fisicamente ao lado das crianças, pisando o mesmo chão.
Mais que isso! Aparece sentada sobre uma pedra, cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto coberto pelas mãos, numa atitude de profunda tristeza. Ao ver as crianças, levanta-se, caminha em sua direção, chama-os para perto de si e passa a conversar com Maximino e Melânia, num diálogo que se prolonga por vários minutos, tempo durante o qual ela passa a sua mensagem. Após concluí-la, em vez de elevar-se ou desaparecer, Maria passa a caminhar. E caminha como companheira de uma conversa, sempre acompanhada pelas crianças, como se estivesse passeando.
A Virgem sobe em direção ao alto da montanha por uma ladeira bastante sinuosa, sempre com as crianças a seu lado, chega até um ponto onde o vale se estreita. Atravessa o riacho e, quando chega ao alto, sem voltar-se, repete ainda uma vez a última parte da mensagem: “Ide, meus filhos. Transmitireis isso a todo o meu povo” . Neste momento a bela Senhora eleva-se à altura de um metro e meio, aproximadamente. As crianças então se aproximam muito dela. Dizem depois, no seu depoimento, que estavam tão próximas da Senhora que ninguém caberia entre elas e a Virgem. Maria olha para o céu e depois para as crianças. Voltando-se para o sudoeste, funde-se na luz. Lentamente desaparecem a cabeça, as espáduas e o restante do corpo. Maximino, ao perceber uma rosa no pé da Senhora, tenta apanhá-la. Sua mão, porém, fecha-se vazia.
Parece difícil acreditar que a mãe de Jesus estivesse tão próxima de nós, quase nos tocando, caminhando ao nosso lado, tão humana, meiga e amiga, chorando, intercedendo, alertando. Não há dúvida. É coisa de mãe. É coisa de Maria. |